Conversas sobre Ciência Cidadã
Com Karen Soacha, investigadora especializada em infraestruturas de ciência cidadã, ética dos dados e governança do conhecimento, com uma trajetória que liga ciência, comunidades e tecnologia. Karen é co-coordenadora do grupo gestor da Rede Ibero-Americana de Ciência Participativa (RICAP) e líder de governança e ética de dados no observatório cidadão MINKA (ICM–CSIC), onde integra o grupo de investigação EnvironMental and sustainaBility participatory InforMatiOn Systems (EMBIMOS).
Quais foram os principais desafios enfrentados pela implementação da RICAP e que lições considera mais relevantes para partilhar com quem deseje implementar uma rede colaborativa internacional de ciência cidadã?
A implementação do RICAP enfrentou desafios de natureza diversa, próprios de uma rede colaborativa internacional que opera em contextos diversos de construção de conhecimento, com realidades sociais, institucionais e culturais heterogéneas.
O principal desafio tem sido construir uma identidade comum que nos permita reconhecer-nos como comunidade. Existe no nosso território uma importante diversidade epistémica e prática. Reconhecer-nos como comunidade de ciência participativa na região é um trabalho ainda em curso. Coexistem múltiplos termos e práticas desenvolvidos ao longo de décadas: monitorização comunitária, monitorização participativa, investigação-ação participativa e, mais recentemente, ciência cidadã, um termo especialmente associado a iniciativas que envolvem a recolha massiva de dados através da tecnologia. Todas estas práticas, e especialmente as comunidades que se associam a elas, encontram-se em processo de se reconhecerem como parte de uma grande comunidade que partilha valores, princípios e objetivos estratégicos. Dentro da RICAP, adotamos o termo guarda-chuva de ciência participativa para abranger essa pluralidade. Encontrar uma linguagem comum que nos permita reconhecer-nos e, a partir daí, construir uma rede tem sido fundamental para tecer laços entre iniciativas, narrativas e atores que, embora diversos nas suas práticas, convergem nos seus propósitos.
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